Quanta novidade para 2011
Muitas? Não. Uma!
Uma mudança total
De casa, trabalho, espuma
Já não diria "mudança"
Na verdade uma transformação
Não daquelas de TV
Que maquiam a cara, deformação
Quanta novidade que está por vir
Mal posso esperar o que estou vivendo
O abandono, o desapego das coisas
Mais ainda daquilo que estou bebendo
Do amor amante e amigo
Da casa aconchegante
Das cervejas no domingo
Da companhia pulsante
Amigos, conhecidos, colegas
Transeuntes que na rua sorriram:
_Bom dia! ... é domingo de missa
para a catedral partiram.
Eu passei... estou passando
Mas levo comigo o rastro da saudade
Da simplicidade bêbada e amiga
Que não tem vaidade
Haverão, sim, transformações
No cotidiano, no trabalhar
Mas o que foi de mim
De quem passou por mim
Jamais vai se apagar!
Josiane Canterle, 02/01/2011
Neste blog estão poemas, canções, cronicas ou até notícias produzidos por mim e outros copiados e, portanto, referciados. Este blog quer ser isso mesmo, um blog, um diário (nem tão diário) eletronico, assim o que está aqui é um pouco de mim e do que sinto.
domingo, 2 de janeiro de 2011
domingo, 12 de dezembro de 2010
Inacabado
Triste dia sem sol
de gotas alegres e trepidantes
que dançam cantando
aos ouvidos dos amantes
É o canto da saudade
aquela que ainda vou sentir
da nossa velha amizade
e das noites sem dormir
É o fado choroso
de um conto de fadas
que um humorista contou
É a bossa malandra
da roda de samba
que ainda não terminou
Josiane Canterle, 12 de dezembro, 2010
de gotas alegres e trepidantes
que dançam cantando
aos ouvidos dos amantes
É o canto da saudade
aquela que ainda vou sentir
da nossa velha amizade
e das noites sem dormir
É o fado choroso
de um conto de fadas
que um humorista contou
É a bossa malandra
da roda de samba
que ainda não terminou
Josiane Canterle, 12 de dezembro, 2010
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Triste estranho
O meu jeito é meio estranho
Ninguém me entende, sou sozinha
Se digo que amo, riem de mim
Se digo o que penso, não vale nada.
De que vale a vida se não dá pra sonhar
Se não dá pra amar...
Incompreendida!
Das palavras que escrevo surgem dúvidas
Sim, não sou racional
Não sei pensar antes de sentir
O meu sentimento é maior do que eu
O meu amor é maior do que eu
O amor que sinto por você é muito maior
Disso você jamais poderá duvidar
Que te amei, te desejei todos os dias
Te fiz retrato em meus pensamentos
Perfume em minha cama para adormecer
sem teus braços quando não estavas aqui
Te quis tanto, que te deixei livre
E agora posso te perder
Tentei imaginar esse momentos tantas vezes
Mas não sou criativa para finais tristes
E será muito triste eu sem você
Eu serei triste sem te ter
Quero continuar sendo feliz
Ter a mão mais afável que já conheci
O melhor carinho, o companheiro
Será eterno, pra todo sempre te levarei comigo
E se você me permitir, te levo inteiro
E não somente na lembrança do que fui
E se me perguntarem o que fui
Direi: Feliz!
Porque encontrei um amor único, irrepetível!
Josiane Canterle - Abril/2010
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
a implosão da mentira
Affonso Romano e a implosão da mentira
Do blog do luisnassif Por Nicolas Timoshenko
Me vejo obrigado a uma vez mais a desmentir um texto que continua a circular doidamente na internet com meu nome.
Agora piorou. Adicionaram o seguinte:
"Esse texto deve se tranformar na maior corrente que a internet já viu, para que na época das eleições consigamos frear a escalada do mal!".
Favor divulgar o poema correto que não tem nada a ver com a contrafacção que anda pela internet, este poema é de 1984, escrito durante a ditadura e o episódio do 'RIO CENTRO'
A Implosão da Mentira
Affonso Romano de Sant'Anna
Fragmento 1
Mentiram-me. Mentiram-me ontem
e hoje mentem novamente. Mentem
de corpo e alma, completamente.
E mentem de maneira tão pungente
que acho que mentem sinceramente.
Mentem, sobretudo, impune/mente.
Não mentem tristes. Alegre/mente
mentem. Mentem tão nacional/mente
que acham que mentindo história afora
vão enganar a morte eterna/mente.
Mentem. Mentem e calam. Mas suas frases
falam. E desfilam de tal modo nuas
que mesmo um cego pode ver
a verdade em trapos pelas ruas.
Sei que a verdade é difícil
e para alguns é cara e escura.
Mas não se chega à verdade
pela mentira, nem à democracia
pela ditadura.
Fragmento 2
Evidente/mente a crer
nos que me mentem
uma flor nasceu em Hiroshima
e em Auschwitz havia um circo
permanente.
Mentem. Mentem caricatural-
mente.
Mentem como a careca
mente ao pente,
mentem como a dentadura
mente ao dente,
mentem como a carroça
à besta em frente,
mentem como a doença
ao doente,
mentem clara/mente
como o espelho transparente.
Mentem deslavadamente,
como nenhuma lavadeira mente
ao ver a nódoa sobre o linho. Mentem
com a cara limpa e nas mãos
o sangue quente. Mentem
ardente/mente como um doente
em seus instantes de febre. Mentem
fabulosa/mente como o caçador que quer passar
gato por lebre.E nessa trilha de mentiras
a caça é que caça o caçador
com a armadilha.
E assim cada qual
mente industrial/mente,
mente partidária/mente,
mente incivil/mente,
mente tropical/mente,
mente incontinente/mente,
mente hereditária/mente,
mente, mente, mente.
E de tanto mentir tão brava/mente
constroem um país
de mentira
diária/mente.
Fragmento 3
Mentem no passado. E no presente
passam a mentira a limpo. E no futuro
mentem novamente.
Mentem fazendo o sol girar
em torno à terra medieval/mente.
Por isto, desta vez, não é Galileu
quem mente.
mas o tribunal que o julga
herege/mente.
Mentem como se Colombo partindo
do Ocidente para o Oriente
pudesse descobrir de mentira
um continente.
Mentem desde Cabral, em calmaria,
viajando pelo avesso, iludindo a corrente
em curso, transformando a história do país
num acidente de percurso.
Fragmento 4
Tanta mentira assim industriada
me faz partir para o deserto
penitente/mente, ou me exilar
com Mozart musical/mente em harpas
e oboés, como um solista vegetal
que absorve a vida indiferente.
Penso nos animais que nunca mentem.
mesmo se têm um caçador à sua frente.
Penso nos pássaros
cuja verdade do canto nos toca
matinalmente.
Penso nas flores
cuja verdade das cores escorre no mel
silvestremente.
Penso no sol que morre diariamente
jorrando luz, embora
tenha a noite pela frente.
Fragmento 5
Página branca onde escrevo. Único espaço
de verdade que me resta. Onde transcrevo
o arroubo, a esperança, e onde tarde
ou cedo deposito meu espanto e medo.
Para tanta mentira só mesmo um poema
explosivo-conotativo
onde o advérbio e o adjetivo não mentem
ao substantivo
e a rima rebenta a frase
numa explosão da verdade.
E a mentira repulsiva
se não explode pra fora
pra dentro explode
implosiva.
(Poema publicado no JB em 1984, quando do episódio do Rio Centro e em diversas antologias do autor. Está em "Poesia Reunida" - L&PM,1999, v.2)
domingo, 12 de setembro de 2010
Na luz do teu olhar
NA LUZ DO TEU OLHAR
(22º Carijo da Canção Gaúcha – Palmeira das Missões/RS)
Autor: Rômulo Chaves
Músico: Piero Erno
Intérprete: Jean Kirschoff
Talvez uma estrela se faça sinuela pra este brilho teu
Ou quem sabe o vento perceba o lamento deste meu canto
Que esta guitarra soltou as amarras de um jeito meu
Trazendo a essência da flor da querência nos teus encantos
Minha nostalgia nestas noites frias se faz companheira
E a seiva do amargo, um vício que trago, me acalma um pouco
Amanso esta vida buscando guarida no olhar da boieira
Na luz que me guia sou parco em poesia buscando teu porto, buscando teu porto
Então no momento em que meu sentimento busca teu destino
A rima singela te traz às janelas do meu sonhar
Pra ser feliz no rancho que fiz no rincão sulino
Me sinto completo tendo por perto a luz do teu olhar
O meu coração que já foi redomão se quedou tão manso
Meus olhos curtidos ficaram perdidos querendo te ver
Na noite xirua, na calma da lua, me trouxe remanso
Busquei meu caminho seguindo os carinhos do teu bem querer
Com sinceridade sem meias verdades te digo o que sinto
A inspiração me deu voz e canção pra o teu agrado
Pois sei que preciso ganhar teu sorriso por isso não minto
Te digo que amo, em meu peito te chamo: vem ficar ao meu lado. Vem ficar ao meu lado!
Então no momento em que meu sentimento busca teu destino
A rima singela te traz às janelas do meu sonhar
Pra ser feliz no rancho que fiz no rincão sulino
Me sinto completo tendo por perto a luz do teu olhar
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
Remoendo o passado
Não sei porque eu insisto em olhar fotos, tantas fotos felizes que me deixam tão triste. Já hoje a tarde falava com uma amiga querida, uma pessoa maravilhosa que vim a conhecer recentemente, que sou daquelas pessoas que vivem mais de passado do que de futuro, que trago no peito as memórias todas, boas e ruins, das minhas vivências.
Ao rever as fotografias, que são imagens fixas do passado, vejo tantos sorrisos e momentos felizes em rostos de pessoas que amei que ainda amo muito. A tristeza vêm quando não posso estar mais tão próxima de quem eu amo, daquelas pessoas com quem verdadeiramente partilhei uma amizade sem enganos e nem decepções. Mas hoje, o sentimento que grita mais forte é o de mágoa quando vejo sorrisos de pessoas falsas, parecendo ser “a (o) melhor amiga (o) do mundo” e de todos.
Me pergunto, podem existir pessoas com tamanha capacidade de enganar pessoas e ainda se fazerem de “santinhas” e “inocentes” como quem nunca fez nada e não sabe de nada? Pode ser uma bela escola de teatro que tais pessoas participam porque para mim é impossível imaginar.
Ainda na conversa com esta minha nova senhora amiga, revelei a ela que sou também dessas pessoas que não esquecem facilmente as traições e que leva muito tempo para conseguir perdoá-las. As feridas ficam abertas e ao menor grão de poeira elas sangram freneticamente.
Pois é, eu sou assim, e por não esquecer esses sentimentos ruins e, o pior, ainda cultivá-los, fico mal, choro sozinha, escrevo meus desabafos, e, quando a raiva toma conta, penso que não há nada que o tempo e a distância não possam curar. Novos amigos e amigas virão em cada nova investida da minha vida e novamente as alegrias e decepções estarão juntas.
Amarei para sempre aqueles que são verdadeiros, jamais esquecerei as falsidade.
domingo, 22 de agosto de 2010
Sou da noite
As noites sempre companheiras
Dos sonhos, das viagens acordadas
Das leituras tantas e verdadeiras
Que antecedem o sono aguardado
Noites que chegam sempre de mansinho
Embriagando com o cheiro do orvalho
Aqueles que ousam com um versinho
Escrever um conto qualquer e falho
Vestistes negro como uma bela dama
Ou uma jovem em inflorescência
Que borda pedras de brilhantes mil
Iluminando o negro por essência
Te tornastes amante dos poetas
Inspiração dos amantes
Sonho dos prisioneiros
És a rainha das festas
Companheira dos viajantes
E minha por inteiro.
Josiane Canterle, 22 de agosto de 2010
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Poluição
Quem me dera ter o poder mágico de descobrir o fantástico onde aparentemente não há.
De poder voar para onde o coração enxergar a flor mais linda, e o melhor perfume, e a mais bela paisagem, e a mais suave brisa que lhe for aprazível.
Neste instante estaria distante, das pessoas e das coisas que me rodeiam. Estaria só, comigo mesma para refletir que sentimento resta de tudo o que eu sou.
Não me identifico com meu habitat. Meu ambiente está poluído, mal cuidado. Será que não fui cuidadosa o suficiente para preservar o meu lugar?
O lixo se acumulou e ficou fétido ao meu redor e eu só fui perceber quando os corvos se achegaram e me rodearam em ciranda.
Sim, eu sou a unica responsável por tudo isso! Só eu posso cuidar do meu ambiente! Se o lixo se acumulou foi irresponsabilidade minha!
Preciso encontrar a forma certa de espantar os corvos e remover estes restos putrefatos que se acumulam ao meu redor!
Preciso vencer o medo de ver o horizonte livre e colorido exalando a mais pura relva livre!
Sim! Liberdade! Te quero sentir de novo, como pássaro livre, como vento, como vida!
De poder voar para onde o coração enxergar a flor mais linda, e o melhor perfume, e a mais bela paisagem, e a mais suave brisa que lhe for aprazível.
Neste instante estaria distante, das pessoas e das coisas que me rodeiam. Estaria só, comigo mesma para refletir que sentimento resta de tudo o que eu sou.
Não me identifico com meu habitat. Meu ambiente está poluído, mal cuidado. Será que não fui cuidadosa o suficiente para preservar o meu lugar?
O lixo se acumulou e ficou fétido ao meu redor e eu só fui perceber quando os corvos se achegaram e me rodearam em ciranda.
Sim, eu sou a unica responsável por tudo isso! Só eu posso cuidar do meu ambiente! Se o lixo se acumulou foi irresponsabilidade minha!
Preciso encontrar a forma certa de espantar os corvos e remover estes restos putrefatos que se acumulam ao meu redor!
Preciso vencer o medo de ver o horizonte livre e colorido exalando a mais pura relva livre!
Sim! Liberdade! Te quero sentir de novo, como pássaro livre, como vento, como vida!
terça-feira, 27 de julho de 2010
Sexto sentido saudade
Será sempre assim a cada partida?
O coração doendo em saudade
E a tua imagem sempre refletida
Em minha mente por vaidade?
Vejo teus cabelos curtos e negros
Sobre a tua face morena
E o brilho também negro dos olhos
Amendoados que se apequena
Lindos olhos e doces olhares
Que enxergo na minha lembrança
De canto, por baixo, discreto,
Que quando sedento me avança
E a boca que na saudade me toca
Desenhada a mão com traços generosos
Tão bela, tão simples, tão forte
Que me beija com beijos dengosos
A barba mal feita que me arranha
A pele e arrepia, faz manha
A respiração molhada me assanha
Em minha orelha tua boca me ganha
Sim, será assim a cada partida tua
A ausência refaz tua imagem
Nas casas, nas árvores, na lua
Me leva em uma viagem
Sentindo na minha, tua pele nua.
Por Josiane Canterle
27/07/2010
sábado, 24 de julho de 2010
Dicas! Dicas! Dicas!
Galera, encontrei este blog que, além de belos textos, diponibiliza documentários on-line.
Conheçam e aproveitem!!!
beijocas!
passeando pelo cotidiano
Conheçam e aproveitem!!!
beijocas!
passeando pelo cotidiano
E a Cor?
Passei pelo quarto que estava com a porta totalmente aberta. Eu olhei curiosa lá para dentro.
Ela estava aparentemente nua, apenas com um lençol amarrado em volta dos míseros seios no feitio de uma canga de praia. Os cabelos ralos e ruivos presos com um lápis no alto da cabeça. Quando nosso olhar se trocou ela sorriu e eu devolvi.
Achei-a tão bonita que lhe disse num rompante:
- Puxa! Você é um charme!
Ela, muito espantada, me perguntou se eu não tinha reparado que seu esqueleto estava desprovido de carne, que tinha apenas trinta e dois quilos de revestimento em 1.70cm de altura.
- Sim, reparei e até pensei que você fosse uma dessas manecas anoréxicas.
- Quem dera! Começou no útero agora está em trocentos lugares.
- E essas flores lindas que enfeitam seu quarto?
- Trazidas pelo homem que me amou.
- Separaram-se quando você adoeceu?
- Um pouco antes. É deprimente perceber que quem tanto nos envolveu, já não gasta seus olhares e sorrisos conosco. Não se desvia de suas prioridades, e nós, ah! Que dó de mim, não fazemos mais parte delas. Apenas nos diz que as coisas estão complicadas e está sempre ocupado, atrapalhado, mas não se vai de vez pelo que representamos um para o outro um dia. Flores costumam aplacar crises de consciência.
- Muita mágoa?
- Misto de sentimentos estranhos. Ainda existe carinho, embora bem retraído, não existe desprezo, nem hostilidade. É um surto de ausências: de palavras, gestos, sorrisos, lágrimas comungadas, promessas silenciosas. Chama apagada de quem jurou o eterno e um monte de frases feitas: Conte comigo a qualquer hora, liga pra mim quando precisar. Tanta formalidade para quem já trocou tanto beijo.
- Que droga você ser inteligente o bastante para perceber que não existe infinito.
- Quer coisa mais transitória do que a vida? A minha então...
- Tento lhe dar esperanças?
- Não. Tenta apenas me distrair. É sua mãe que você acompanha?
- Irmã.
- Onde?
- Pulmão
- Quer falar sobre isso?
- Não.
- Você está sempre com livros. Lê muito?
- Sim e também escrevo.
- Escreveu algum livro?
- Amanhã lhe trago o último.
- Sou Lia. Quero dedicatória.
Teve o amanhã e outros poucos depois dele. Comentou até a minha crônica "Qual é a cor da saudade". Permaneço sem saber a cor dela.
Ps: A dedicatória:
A vida acaba nos trazendo conhecidos, amigos, amores, pessoas que estiveram muito ou pouco conosco, mas que farão parte de nossa história. Algumas chegam no prefácio, outras no epílogo. Às vezes aquelas que imaginávamos cadeira cativa viram ausências, mas não menos história, e outras que trocamos apenas dois ou três dedos de prosa, dependendo do momento, são as que fazem o corpo do livro.
Você já é mais que um parágrafo em minha vida.
Por Rosa Pena - Texto extraído do livro "Tarja Branca" (All Print Editora - 2010).
http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6539671914291162906
Recomendo:
Ela estava aparentemente nua, apenas com um lençol amarrado em volta dos míseros seios no feitio de uma canga de praia. Os cabelos ralos e ruivos presos com um lápis no alto da cabeça. Quando nosso olhar se trocou ela sorriu e eu devolvi.
Achei-a tão bonita que lhe disse num rompante:
- Puxa! Você é um charme!
Ela, muito espantada, me perguntou se eu não tinha reparado que seu esqueleto estava desprovido de carne, que tinha apenas trinta e dois quilos de revestimento em 1.70cm de altura.
- Sim, reparei e até pensei que você fosse uma dessas manecas anoréxicas.
- Quem dera! Começou no útero agora está em trocentos lugares.
- E essas flores lindas que enfeitam seu quarto?
- Trazidas pelo homem que me amou.
- Separaram-se quando você adoeceu?
- Um pouco antes. É deprimente perceber que quem tanto nos envolveu, já não gasta seus olhares e sorrisos conosco. Não se desvia de suas prioridades, e nós, ah! Que dó de mim, não fazemos mais parte delas. Apenas nos diz que as coisas estão complicadas e está sempre ocupado, atrapalhado, mas não se vai de vez pelo que representamos um para o outro um dia. Flores costumam aplacar crises de consciência.
- Muita mágoa?
- Misto de sentimentos estranhos. Ainda existe carinho, embora bem retraído, não existe desprezo, nem hostilidade. É um surto de ausências: de palavras, gestos, sorrisos, lágrimas comungadas, promessas silenciosas. Chama apagada de quem jurou o eterno e um monte de frases feitas: Conte comigo a qualquer hora, liga pra mim quando precisar. Tanta formalidade para quem já trocou tanto beijo.
- Que droga você ser inteligente o bastante para perceber que não existe infinito.
- Quer coisa mais transitória do que a vida? A minha então...
- Tento lhe dar esperanças?
- Não. Tenta apenas me distrair. É sua mãe que você acompanha?
- Irmã.
- Onde?
- Pulmão
- Quer falar sobre isso?
- Não.
- Você está sempre com livros. Lê muito?
- Sim e também escrevo.
- Escreveu algum livro?
- Amanhã lhe trago o último.
- Sou Lia. Quero dedicatória.
Teve o amanhã e outros poucos depois dele. Comentou até a minha crônica "Qual é a cor da saudade". Permaneço sem saber a cor dela.
Ps: A dedicatória:
A vida acaba nos trazendo conhecidos, amigos, amores, pessoas que estiveram muito ou pouco conosco, mas que farão parte de nossa história. Algumas chegam no prefácio, outras no epílogo. Às vezes aquelas que imaginávamos cadeira cativa viram ausências, mas não menos história, e outras que trocamos apenas dois ou três dedos de prosa, dependendo do momento, são as que fazem o corpo do livro.
Você já é mais que um parágrafo em minha vida.
Por Rosa Pena - Texto extraído do livro "Tarja Branca" (All Print Editora - 2010).
http://www.blogger.com/post-create.g?blogID=6539671914291162906
Recomendo:
terça-feira, 20 de julho de 2010
Meus Amores Amig@s
Hoje é dia do amigo, e da amiga também. Por que existir uma data para homenagear essas pessoas que são tão importantes todos os dias de nossas vidas? Me perguntei ainda há pouco enquanto pensava se mandaria mensagens de felicitações pelo orkut.
Sim, @s amig@s são imprescindíveis sempre! E, penso eu, por serem tão especiais e tão cotidianos merecem uma data especialmente para el@s, para que a gente tenha a chance de fazermos o que não fizemos nos outros 363 (ou 364) dias do ano: dizer o quanto os amamos!
Hoje a tarde, enquanto colhia as lavouras de chá branco na minha “Mini Fazenda”, escutava a novela das seis e me chamou atenção em algo que foi dito. Era uma cena onde um dos personagens se declarava falando do seu amor à personagem amada, e este amor surgira da admiração que ele sentia por ela. Isso me fez refletir sobre as pessoas que eu amo e só então percebi o quanto os admiro, e a cada um de uma maneira diferente.
Há aqueles que conquistaram minha admiração pela capacidade de se relacionar com as pessoas, outr@s pela sinceridade, ou ainda, pela capacidade de doação, pela solidariedade, pela dedicação com que perseguem seus objetivos, mas acima de tudo, os admiro pela fidelidade com seus princípios, valores e pela capacidade de assumir uma personalidade impar.
Sim, eu amo meus amig@s por serem quem são, pelos defeitos e qualidades que os dignificam como seres humanos. Amo-os como pessoas lindas presentes ou ausentes.
Para aqueles a quem sempre digo, para aqueles a quem falo somente as vezes e, também para aqueles a quem nunca pronunciei, EU TE AMO! E quero repetir isso todos os dias da minha vida, ao menos em minhas orações.
Ainda, quero dizer da admiração que me causa alguém especial: meu namorado!!! Meu amigo que tem sido de uma presença constante, em quem eu confio as minhas lágrimas e o meu riso, um companheiro sem igual que mesmo que não estejamos mais um dia juntos, vou continuar a admirá-lo e repetindo: TE AMO!
Josiane Canterle - 20 de julho de 2010
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Lua e Mar
Carinho e atenção para ser feliz
É disso que sobrevive a felicidade
Vê o mar como fica raivoso
Quando da lua sente saudade
Lua e mar, o encontro na areia
O carinho da água nas escamas da seria
Ou seria o mar refrescando o que incendeia
Do fogo que a lua provoca na areia?
Inseparavelmente separáveis
Assim são lua e mar
Quanto mais clara a lua fica
Mais o mar a tenta beijar
Mas a lua só ilumina
É impossível tocar
Mas o mais impossível é
Separar lua e mar.
Por Josiane Canterle, escrito em 04 de março de 2010
Musica Mar e Lua - Chico Buarque de Holanda
É disso que sobrevive a felicidade
Vê o mar como fica raivoso
Quando da lua sente saudade
Lua e mar, o encontro na areia
O carinho da água nas escamas da seria
Ou seria o mar refrescando o que incendeia
Do fogo que a lua provoca na areia?
Inseparavelmente separáveis
Assim são lua e mar
Quanto mais clara a lua fica
Mais o mar a tenta beijar
Mas a lua só ilumina
É impossível tocar
Mas o mais impossível é
Separar lua e mar.
Por Josiane Canterle, escrito em 04 de março de 2010
Musica Mar e Lua - Chico Buarque de Holanda
domingo, 11 de julho de 2010
O fim e o Tempo
Foi o final de um tempo bom
Tempo que como todo tempo
Passou e permaneceu no tom
Exato, certo, violento.
Afinal foi o tempo que parou
Ou foi eu quem passou?
Tão rápido, tão frágil, tão só
Com o vento voou.
E o vento do tempo rodou
Rodou a roda da vida
Girou uma volta e voltou
Ao ponto de partida.
Quem o vento trouxe partiu
No seu lugar nem o vento ficou
A última lágrima caiu
Onde nunca ninguém notou.
por Josiane Canterle
Novas Estações
Estação saudade
na solidão na penumbra do amanhecer.
Via você na noite, nas estrelas, nos planetas,
nos mares, no brilho do sol e no anoitecer.
Via você no ontem , no hoje, no amanhã...
Mas não via você no momento.
Que saudade...
(Mário Quintana)
na solidão na penumbra do amanhecer.
Via você na noite, nas estrelas, nos planetas,
nos mares, no brilho do sol e no anoitecer.
Via você no ontem , no hoje, no amanhã...
Mas não via você no momento.
Que saudade...
(Mário Quintana)
sábado, 5 de junho de 2010
Eterno
Em pequenas coisas te encontro, grande homem
Homem lindo que tem muito mais que músculos pelo corpo
Ah, sim ,também tem pêlos, pele, cheiro e cérebro!
O cérebro é a parte que mais me encanta, me devoto.
Não precisas repetir palavras românticas e frases feitas
Me deixas cada dia mais apaixonada pelos teus silêncios
Ouço os olhares, o percorrer das mãos, o roçar da língua
Ouço extasiada o pulsar e o arfar dos pulsos sôfregos.
Me encantas pelo que és. É essa racionalidade que me intimida
Me domina e me possui. Me faze tua por inteiro!
Não me canso de te olhar e tua lembrança não é esquecida
És presença constante, e por mais que o tempo ande
E que o vento te leve para longe, és parte da minha vida.
quarta-feira, 26 de maio de 2010
CASCA
Por Josiane Canterle
Criei uma casa para morar
Não, não errei, é casca mesmo, não casa
Criei uma casca para morar
Não saio debaixo dela mesmo com asas
Nem dentro de casa eu consigo tirar.
Casca dura, grossa, densa
Que só eu posso quebrar
Eu só peço que me esqueça
Se amor não puder dar
Prefiro minha casca
Ela me machuca, mas eu suporto a dor
Eu sou a minha casca
Não me arranho com o espinho da flor
Eu, minha casca na noite
Não me desfaço nem para dormir
Minha casca, minha máscara
Uso sempre quando quero sorrir
E quando quero chorar
E quando quero fugir
E quando quero amar
E quando quero sentir
Minha casca-máscara
Esta noite me faça companhia
Que sou só e fraca
Gelada na solidão fria.
domingo, 23 de maio de 2010
TODAVIA CANTAMOS
Todavía cantamos
Victor Heredia
Idioma original: ESP
Todavía cantamos, todavía pedimos,
todavía soñamos, todavía esperamos,
a pesar de los golpes
que asestó en nuestras vidas
el ingenio del odio
desterrando al olvido
a nuestros seres queridos.
Todavía cantamos, todavía pedimos,
todavía soñamos, todavía esperamos;
que nos digan adónde
han escondido las flores
que aromaron las calles
persiguiendo un destino
¿Dónde, dónde se han ido?
Todavía cantamos, todavía pedimos,
todavía soñamos, todavía esperamos;
que nos den la esperanza
de saber que es posible
que el jardín se ilumine
con las risas y el canto
de los que amamos tanto.
Todavía cantamos, todavía pedimos,
todavía soñamos, todavía esperamos;
por un día distinto
sin apremios ni ayuno
sin temor y sin llanto,
porque vuelvan al nido
nuestros seres queridos.
Todavía cantamos, todavía pedimos,
Todavía soñamos, todavía esperamos...
sábado, 15 de maio de 2010
Estudar para não pensar
Por Josiane Canterle
O que me resta nesta vida se não estudar e estudar...
Estudar para ocupar a mente e não ficar viajando com a realidade.
Estudar por não ter grana para ir ao bar beber.
Estudar por o mundo estar ocupado demais pra me deixar outras possibilidades.
Estudar, estudar, estudar...
E depois que eu acabar de estudar, vai ter mais algo a estudar para ocupar meu tempo.
E quando eu não agüentar mais de tanto estudar vou pensar em tudo o que estudei.
Vou lembrar que fiquei horas olhando para as letras e elas não me diziam nada.
Vou constatar que muito pouco ficou de tudo o que fiz, por que eu fiz pouco.
Mas é inegável o bem que me fez: me libertou da realidade mascarada.
As máscaras caem, os rostos aparecem e tudo tem um por quê.
Deve haver um por quê estudar!
segunda-feira, 10 de maio de 2010
Sentir o Sabor
Em uma visita habitual no meu blog senti a falta de um texto de minha autoria.
Ultimamente as postagens são de texto que leio em outros blogs, ou são letras de músicas, ou são poemas, enfim, coisas que gosto de ler e sentir mas que não são pensamentos próprios.
Hoje, especialmente, como em todos os dias desta semana, estou atarefadíssima com o que tenho para fazer na faculdade, seja em pesquisa ou trabalho prático. E porque estou escrevendo? Por que me deu vontade! Tem coisa melhor do que escrever o que dá vontade e quando dá vontade?!?!?!
Apesar de que nos últimos tempos a vida tenha me dado imensos motivos para desanimar hoje estou cheia de vida e esperança. Confesso que as vezes até desanimo, mas hoje percebo que tem acontecido tantas coisas boas também, que superam as menos boas. Mais uma vez volto a acreditar que tudo é da forma que tem que ser, que Deus escreve certo por linhas tortas, como sempre aconteceu comigo.
Não sei nem explicar ao certo como eu vim parar aqui nesta cidade, mas foi em um momento em que tudo parecia fora do lugar: pais separando, mãe doente, problemas financeiros etc. Resumidademente, recebi de presente uma vida, uma oportunidade que raras pessoas para perceber a vida de uma forma diferente, sentindo-a ao poucos, como em doses homeopáticas, gota por gota de ensinamento, e foi aí que entendi que quanto mais eu sabia, mais havia pra saber!
O tempo me fez perceber que eu estou conquistando tudo o que eu sempre sonhei, as coisas que desejei, só não estão sendo como eu planejei, porque com os meus planos seria fácil demais.
A vida precisa de tempero e para achar a medida certa é preciso experimentar até dar o ponto ideal. Acertar o sal, a pimenta, a cebola, o alho, se coloca tomates, mangericão, orégano ou louro... são tantos os temperos possíveis de infinitas combinações que proporcionam tantos sabores. Delícia!
Assim é que sinto em mim a vida, ora amarga, ora doce, só não pode ser sem sabor algum!
Tenho certeza que na próxima curva vou encontrar um novo tempero para combinar com este prato!
Ultimamente as postagens são de texto que leio em outros blogs, ou são letras de músicas, ou são poemas, enfim, coisas que gosto de ler e sentir mas que não são pensamentos próprios.
Hoje, especialmente, como em todos os dias desta semana, estou atarefadíssima com o que tenho para fazer na faculdade, seja em pesquisa ou trabalho prático. E porque estou escrevendo? Por que me deu vontade! Tem coisa melhor do que escrever o que dá vontade e quando dá vontade?!?!?!
Apesar de que nos últimos tempos a vida tenha me dado imensos motivos para desanimar hoje estou cheia de vida e esperança. Confesso que as vezes até desanimo, mas hoje percebo que tem acontecido tantas coisas boas também, que superam as menos boas. Mais uma vez volto a acreditar que tudo é da forma que tem que ser, que Deus escreve certo por linhas tortas, como sempre aconteceu comigo.
Não sei nem explicar ao certo como eu vim parar aqui nesta cidade, mas foi em um momento em que tudo parecia fora do lugar: pais separando, mãe doente, problemas financeiros etc. Resumidademente, recebi de presente uma vida, uma oportunidade que raras pessoas para perceber a vida de uma forma diferente, sentindo-a ao poucos, como em doses homeopáticas, gota por gota de ensinamento, e foi aí que entendi que quanto mais eu sabia, mais havia pra saber!
O tempo me fez perceber que eu estou conquistando tudo o que eu sempre sonhei, as coisas que desejei, só não estão sendo como eu planejei, porque com os meus planos seria fácil demais.
A vida precisa de tempero e para achar a medida certa é preciso experimentar até dar o ponto ideal. Acertar o sal, a pimenta, a cebola, o alho, se coloca tomates, mangericão, orégano ou louro... são tantos os temperos possíveis de infinitas combinações que proporcionam tantos sabores. Delícia!
Assim é que sinto em mim a vida, ora amarga, ora doce, só não pode ser sem sabor algum!
Tenho certeza que na próxima curva vou encontrar um novo tempero para combinar com este prato!
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