domingo, 21 de fevereiro de 2010

ME IDENTIFICO I


SIMULTANEIDADE

- Eu amo o mundo! Eu detesto o mundo! Eu creio em Deus! Deus é um absurdo! Eu vou me matar! Eu quero viver!
- Você é louco?
- Não, sou poeta.

Mario Quintana - A vaca e o hipogrifo (Poesia Completa, p. 535)

Me envaidesse

Não me recordo a data, mas já há alguns meses, recebi um lindo poema de uma dos maiores poetas que o mundo já viu: Pablo Neruda.
O poema é simples e complexo, ou convexo, não sei explicar. Sei o que senti, e isso posso resumir assim chamando, vaidade.

Eis que apresento o motivo de minha vaidade.

Plena mulher, maçã carnal, lua quente,
espesso aroma de algas, lodo e luz pisados,
que obscura claridade se abre entre tuas pernas?
que antiga noite o homem toca com seus sentidos?
Ai, amar é uma viagem com água e com estrelas,
com ar opresso e bruscas tempestades de farinha:
amar é um combate de relâmpagos e dois corpos
por um so mel derrotados.
Beijo a beijo percorro teu pequeno infinito,
tuas margens, teus rios, teus povoados pequenos,
e o fogo genital transformado em delícia
corre pelos tênues caminhos do sangue
até precipitar-se como um cravo noturno,
até ser e não ser senão na sombra de um raio.

Pablo Neruda

ORVALHO E UTOPIAS

Há poucos dias me vi em um dilema, algo que ainda não havia me ocorrido: não acreditava em mais nada!
Vi os meus sonhos, minhas utopias para melhor dizer, evaporarem como o orvalho ao sol. Contudo não foi uma evaporação delicada como o tocar dos raios de sol no orvalho, foi violento como um terremoto que deixa tudo aos cacos e os cacos viram pó.
Mas derrepente, e não mais que derrepente, ao ler poesias para alegrar a amargura de mais uma noite, me deparo com as palavras mágicas do menino poeta que mudou tudo novamente. Eis o que o “poetinha” proferiu:

DAS UTOPIAS

Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos se não fora
A mágica presença das estrelas!

E assim como o evaporar do orvalho iluminado pelo sol, senti a utopia ressurgir em mim, alimentar meus sonhos, iluminar meus caminhos.
Dessa vez foi o silencio da noite que me tocou com o orvalho... e espero que ele surja misteriosamente e evapore no calor da vida sempre... que os orvalhar de meus olhos tristes seja para o nascer de um novo sol uma deliciosa bebida. Utopias.