Triste dia sem sol
de gotas alegres e trepidantes
que dançam cantando
aos ouvidos dos amantes
É o canto da saudade
aquela que ainda vou sentir
da nossa velha amizade
e das noites sem dormir
É o fado choroso
de um conto de fadas
que um humorista contou
É a bossa malandra
da roda de samba
que ainda não terminou
Josiane Canterle, 12 de dezembro, 2010
Neste blog estão poemas, canções, cronicas ou até notícias produzidos por mim e outros copiados e, portanto, referciados. Este blog quer ser isso mesmo, um blog, um diário (nem tão diário) eletronico, assim o que está aqui é um pouco de mim e do que sinto.
domingo, 12 de dezembro de 2010
quinta-feira, 4 de novembro de 2010
Triste estranho
O meu jeito é meio estranho
Ninguém me entende, sou sozinha
Se digo que amo, riem de mim
Se digo o que penso, não vale nada.
De que vale a vida se não dá pra sonhar
Se não dá pra amar...
Incompreendida!
Das palavras que escrevo surgem dúvidas
Sim, não sou racional
Não sei pensar antes de sentir
O meu sentimento é maior do que eu
O meu amor é maior do que eu
O amor que sinto por você é muito maior
Disso você jamais poderá duvidar
Que te amei, te desejei todos os dias
Te fiz retrato em meus pensamentos
Perfume em minha cama para adormecer
sem teus braços quando não estavas aqui
Te quis tanto, que te deixei livre
E agora posso te perder
Tentei imaginar esse momentos tantas vezes
Mas não sou criativa para finais tristes
E será muito triste eu sem você
Eu serei triste sem te ter
Quero continuar sendo feliz
Ter a mão mais afável que já conheci
O melhor carinho, o companheiro
Será eterno, pra todo sempre te levarei comigo
E se você me permitir, te levo inteiro
E não somente na lembrança do que fui
E se me perguntarem o que fui
Direi: Feliz!
Porque encontrei um amor único, irrepetível!
Josiane Canterle - Abril/2010
quinta-feira, 28 de outubro de 2010
a implosão da mentira
Affonso Romano e a implosão da mentira
Do blog do luisnassif Por Nicolas Timoshenko
Me vejo obrigado a uma vez mais a desmentir um texto que continua a circular doidamente na internet com meu nome.
Agora piorou. Adicionaram o seguinte:
"Esse texto deve se tranformar na maior corrente que a internet já viu, para que na época das eleições consigamos frear a escalada do mal!".
Favor divulgar o poema correto que não tem nada a ver com a contrafacção que anda pela internet, este poema é de 1984, escrito durante a ditadura e o episódio do 'RIO CENTRO'
A Implosão da Mentira
Affonso Romano de Sant'Anna
Fragmento 1
Mentiram-me. Mentiram-me ontem
e hoje mentem novamente. Mentem
de corpo e alma, completamente.
E mentem de maneira tão pungente
que acho que mentem sinceramente.
Mentem, sobretudo, impune/mente.
Não mentem tristes. Alegre/mente
mentem. Mentem tão nacional/mente
que acham que mentindo história afora
vão enganar a morte eterna/mente.
Mentem. Mentem e calam. Mas suas frases
falam. E desfilam de tal modo nuas
que mesmo um cego pode ver
a verdade em trapos pelas ruas.
Sei que a verdade é difícil
e para alguns é cara e escura.
Mas não se chega à verdade
pela mentira, nem à democracia
pela ditadura.
Fragmento 2
Evidente/mente a crer
nos que me mentem
uma flor nasceu em Hiroshima
e em Auschwitz havia um circo
permanente.
Mentem. Mentem caricatural-
mente.
Mentem como a careca
mente ao pente,
mentem como a dentadura
mente ao dente,
mentem como a carroça
à besta em frente,
mentem como a doença
ao doente,
mentem clara/mente
como o espelho transparente.
Mentem deslavadamente,
como nenhuma lavadeira mente
ao ver a nódoa sobre o linho. Mentem
com a cara limpa e nas mãos
o sangue quente. Mentem
ardente/mente como um doente
em seus instantes de febre. Mentem
fabulosa/mente como o caçador que quer passar
gato por lebre.E nessa trilha de mentiras
a caça é que caça o caçador
com a armadilha.
E assim cada qual
mente industrial/mente,
mente partidária/mente,
mente incivil/mente,
mente tropical/mente,
mente incontinente/mente,
mente hereditária/mente,
mente, mente, mente.
E de tanto mentir tão brava/mente
constroem um país
de mentira
diária/mente.
Fragmento 3
Mentem no passado. E no presente
passam a mentira a limpo. E no futuro
mentem novamente.
Mentem fazendo o sol girar
em torno à terra medieval/mente.
Por isto, desta vez, não é Galileu
quem mente.
mas o tribunal que o julga
herege/mente.
Mentem como se Colombo partindo
do Ocidente para o Oriente
pudesse descobrir de mentira
um continente.
Mentem desde Cabral, em calmaria,
viajando pelo avesso, iludindo a corrente
em curso, transformando a história do país
num acidente de percurso.
Fragmento 4
Tanta mentira assim industriada
me faz partir para o deserto
penitente/mente, ou me exilar
com Mozart musical/mente em harpas
e oboés, como um solista vegetal
que absorve a vida indiferente.
Penso nos animais que nunca mentem.
mesmo se têm um caçador à sua frente.
Penso nos pássaros
cuja verdade do canto nos toca
matinalmente.
Penso nas flores
cuja verdade das cores escorre no mel
silvestremente.
Penso no sol que morre diariamente
jorrando luz, embora
tenha a noite pela frente.
Fragmento 5
Página branca onde escrevo. Único espaço
de verdade que me resta. Onde transcrevo
o arroubo, a esperança, e onde tarde
ou cedo deposito meu espanto e medo.
Para tanta mentira só mesmo um poema
explosivo-conotativo
onde o advérbio e o adjetivo não mentem
ao substantivo
e a rima rebenta a frase
numa explosão da verdade.
E a mentira repulsiva
se não explode pra fora
pra dentro explode
implosiva.
(Poema publicado no JB em 1984, quando do episódio do Rio Centro e em diversas antologias do autor. Está em "Poesia Reunida" - L&PM,1999, v.2)
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